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domingo, 29 de novembro de 2009

A natureza não é muda...

O mundo pinta naturezas mortas, sucumbem os bosques naturais, derretem os pólos, o ar torna-se irrespirável e a água imprestável, plastificam-se as flores e a comida, e o céu e a terra ficam completamente loucos.


E, enquanto tudo isto acontece, um país latino-americano, o Equador, está discutindo uma nova Constituição. E nessa Constituição abre-se a possibilidade de reconhecer, pela primeira vez na história universal, os direitos da natureza.

A natureza tem muito a dizer, e já vai sendo hora de que nós, seus filhos, paremos de nos fingir de surdos. E talvez até Deus escute o chamado que soa saindo deste país andino, e acrescente o décimo primeiro mandamento, que ele esqueceu nas instruções que nos deu lá do monte Sinai: "Amarás a natureza, da qual fazes parte".

Um objeto que quer ser sujeito
Durante milhares de anos, quase todo o mundo teve direito de não ter direitos.

Nos fatos, não são poucos os que continuam sem direitos, mas pelo menos se reconhece, agora, o direito a tê-los; e isso é bastante mais do que um gesto de caridade dos senhores do mundo para consolo dos seus servos.

E a natureza? De certo modo, pode-se dizer que os direitos humanos abrangem a natureza, porque ela não é um cartão postal para ser olhado desde fora; mas bem sabe a natureza que até as melhores leis humanas tratam-na como objeto de pr
opriedade, e nunca como sujeito de direito.

Reduzida a uma mera fonte de recursos naturais e bons negócios, ela pode ser legalmente maltratada, e até exterminada, sem que suas queixas sejam escutadas e sem que as normas jurídicas impeçam a impunidade dos criminosos. No máximo, no melhor dos casos, são as vítimas humanas que podem exigir uma indenização mais ou menos simbólica, e isso sempre depois que o mal já foi feito, mas as leis não evitam nem detêm os atentados contra a terra, a água ou o ar.

Parece estranho, não é? Isto de que a natureza tenha direitos... Uma loucura. Como se a natureza fosse pessoa! Em compensação, parece muito normal que as grandes empresas dos Estados Unidos desfrutem de direitos humanos. Em 1886, a S
uprema Corte dos Estados Unidos, modelo da justiça universal, estendeu os direitos humanos às corporações privadas. A lei reconheceu para elas os mesmos direitos das pessoas: direito à vida, à livre expressão, à privacidade e a todo o resto, como se as empresas respirassem. Mais de 120 anos já se passaram e assim continua sendo. Ninguém fica estranhado com isso.


Gritos e sussurros
Nada há de estranho, nem de anormal, o projeto que quer incorporar os direitos da natureza à nova Constituição do Equador.

Este país sofreu numerosas devastações ao longo da sua história. Para citar apenas um exemplo, durante mais de um quarto de século, até 1992, a empresa petroleira Texaco vomitou impunemente 18 bilhões de galões de veneno sobre terras, rios e pessoas. Uma vez cumprida esta obra de beneficência na Amazônia equatoriana, a empresa nascida no Texas celebrou seu casamento com a Standard Oil. Nessa época, a Standard Oil, de Rockefeller, havia passado a se chamar Chevron e era dirigida por Condoleezza Rice. Depois, um oleoduto transportou Condoleezza até a Casa Branca, enquanto a família Chevron-Texaco continuava contaminando o mundo.

Mas as feridas abertas no corpo do Equador pela Texaco e outras empresas não são a única fonte de inspiração desta grande novidade jurídica que se tenta levar adiante. Além disso, e não é o menos importante, a reivindicação da natureza faz parte de um processo de recuperação das mais antigas tradições do Equador e de toda a América. Visa a que o Estado reconheça e garanta o direito de manter e regenerar os ciclos vitais naturais, e não é por acaso que a Assembléia Constituinte começou por identificar seus objetivos de renascimento nacional com o ideal de vida do sumak kausai. Isso significa, em língua quechua, vida harmoniosa: harmonia entre nós e harmonia com a natureza, que nos gera, nos alimenta e nos abriga e que tem vida própria, e valores próprios, para além de nós.

Essas tradições continuam miraculosamente vivas, apesar da pesada herança do racismo, que no Equador, como em toda a América, continua mutilando a realidade e a memória. E não são patrimônio apenas da sua numerosa população indígena, que soube perpetuá-las ao longo de cinco séculos de proibição e desprezo. Pertencem a todo o país, e ao mundo inteiro, estas vozes do passado que ajudam a adivinhar outro futuro possível.

Desde que a espada e a cruz desembarcaram em terras americanas, a conquista européia castigou a adoração da natureza, que era pecado de idolatria, com penas de açoite, forca ou fogo. A comunhão entre a natureza e o povo, costume pagão, foi abolida em nome de Deus e depois em nome da civilização. Em toda a América, e no mundo, continuamos pagando as conseqüências desse divorcio obrigatório.

(Eduardo Galeano)

Publicado originalmente no semanário Brecha, do Uruguai.
Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Uma lenda chinesa...

Era uma vez uma jovem chamada Lin, que se casou e foi viver com o marido na casa da sogra.
Depois de algum tempo, começou a ver que não se adaptava à sogra. Os temperamentos eram muito diferentes e Lin se irritava com os hábitos e costumes da sogra, que criticava cada vez mais com insistência.
Com o passar dos meses, as coisas foram piorando, a ponto de a vida se tornar insuportável. No entanto, segundo as tradições antigas da China, a nora tem que estar sempre a serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo.
Mas Lin, não suportando por mais tempo a idéia de viver com a sogra, tomou a decisão de ir consultar um Mestre, velho amigo do seu pai.
Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou num ramalhete de ervas medicinais e disse-lhe:
- Para te livrares da tua sogra, não as deves usar de uma só vez, pois
isso poderia causar suspeitas. Vais misturá-las com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela vai-se envenenando lentamente.
Mas, para teres a certeza de que, quando ela morrer, ninguém suspeitará de ti, deverás ter muito cuidado em tratá-la sempre com muita amizade. Não discutas e ajuda-a a resolver os seus problemas.
Lin respondeu: - Obrigado, Mestre Huang, farei tudo o que me recomenda.
Lin ficou muito contente e voltou entusiasmada com o projeto de
assassinar a sogra.
Durante várias semanas Lin serviu, dia sim, dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra. E tinha sempre presente a recomendação de Mestre Huang para evitar suspeitas: controlava o temperamento, obedecia à sogra em tudo e tratava-a como se fosse a sua própria mãe.
Passados seis meses, toda a família estava mudada. Lin controlava bem o seu temperamento e quase nunca se aborrecia. Durantes estes meses, não teve uma única discussão com a sogra, que também se mostrava muito mais amável e mais fácil de tratar com ela. As atitudes da sogra também mudaram e ambas passaram a tratar-se
como mãe e filha.
Certo dia, Lin foi procuraro Mestre Huang, para lhe pedir ajuda e disse-lhe:
- Mestre, por favor, ajude-me a evitar que o veneno venha a matar a minha sogra! É que ela transformou- se numa mulher agradável e gosto dela como se fosse a minha mãe. Não quero que ela morra por causa do veneno que lhe dou.
Mestre Huang sorriu e abanou a cabeça:
- Lin, não te preocupes. A tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu. As ervas que te dei são vitaminas para melhorar a saúde. O veneno estava nas tuas atitudes, mas foi sendo substituído pelo amor e carinho que lhe começaste a dedicar.
Na China, há um provérbio que diz:
"A pessoa que ama os outros também será amada".
E os árabes têm outro provérbio:
"O nosso inimigo não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos".
As pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje poderão vir a
ser as que mais nos darão alegrias no futuro. Invista nelas!
Cative-as, ouça-as, cruze seu mundo com o mundo delas.
Plante sementes.
Não espere o resultado imediato: colha com paciência.
Esse é o único investimento que jamais se perde.
Se as pessoas não ganharem, você, pelo menos, ganhará:
Paz interior, experiência e consciência de que fez o melhor.

(autor desconhecido)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Sobre estar sozinho...

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.
A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, embora aconteça com homens mais sensíveis, tem atingido mais a mulher. Ou seja, a pessoa abandona suas características, para se amalgamar ao projeto do outro. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado.
Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.
Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não à partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.
O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.
Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo.

(autor desconhecido)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Final do mês de abril...

Para quem entrou aqui esperando ler coisas do tipo "nossa... como tempo passou rápido" ou "gente... já estamos quase na metade do ano", lamento. Quero escrever sobre as surpresas que o mês de abril, especialmente em seu final, sempre me reservou ao longo da vida e só agora percebi.
Lembro que, ainda com 10 ou 11 anos, uma colega da minha tia que, como ela, cursava psicologia, adorava me pedir para fazer desenhos, claro, para que pudessem analizá-los mais tarde. E certa vez ela disse: "Que linda essa casinha!" E me perguntou: "Tens algum dia em que tu estás mais inspirado ou não?" E eu, na minha ingenuidade e fansia, respondi: "Sim. No Natal, na Páscoa, no dia do meu aniversário... (pensando mais um pouco) dia 25 de abril e dia 7 setembro." A minha tia, sempre céptica, retrucou: "ah... Já bobeou." (será que ela lembra disso?)
Eu simplesmente adorava a semana da Pátria, mas nunca entendi aquele 25 de abril!
Hoje em dia, evidentemente, após um acontecimento que mexeu bastante comigo, parei para avaliar sobre algumas coisas que aconteceram comigo mais ou meno nesta época do ano.
Foi num final de abril que beijei pela primeira vez alguém que, por muito
tempo, considerei um grande amor. Foi no final de outro abril que comecei a namorar a garota mais linda (em todos os sentidos) que jamais conheci. Foi no final de mais um abril que estreei meu primeiro espetáculo de teatro. Foi noutro final de abril que recebi a notícia da aprovação no melhor concurso que fiz até hoje. Foi num final de abril que me cadastrei para financiar aquela que hoje é minha casa. Hoje, fechei um show para a Flor do Asfalto, num lugar onde há muito queríamos tocar. Ontem, recebi um convite irrecusável para atuar novamente. E, o principal... Nos últimos dias, sinto que preenchi meu peito, depois de tanto tempo.
Tudo isto, talvez, para compensar o fato de que foi num distante abril que vi minha mãe pela última vez.
Eu sou muito bom com datas, mas confesso que tive de confirmar em "documentos" algumas de minhas suspeitas. O fato é que o cinema chamou novembro de "doce". Mas eu, chamo abril... Meu mês da sorte... Doce Abril!

sábado, 28 de março de 2009

O que o sono é capaz de fazer...

Quando a luz do sol brilha no céu e não conseguimos concluir tudo o que temos para fazer, usamos a noite, certo? Eu, por exemplo, tenho o hábito de usar as noites sempre, para as coisas fundamentais, bem como para as mais fúteis. Porém, quando sono bate, é hora de dormir e pronto!

Especialmente em frente ao computador meu sono demora a aparecer, mas quando vem... É capaz de me fazer cometer as maiores "cagadas" (desculpem o termo, mas não há outra forma de dizer).

Conseguem visualizar a situação (e alguém aí já deve ter passado por isso) onde um indivíduo (na verdade, uma anta), após uma noite inteira de trabalho, simplesmente aperta dois botões e joga tudo fora? Pois foi o que aconteceu comigo.

Após uma noite inteira examinando bibliografias e referências variadas, previamente lidas, e me utilizando delas para escrever, deletei todo... Eu dise TODO o trabalho. E pior que isso... Com o SHIFT pressionado.

Devo refazer meus cursos básicos de informática? Devo voltar a me utilizar do velho e seguro método da caneta no papel? Ou devo reorganizar meu tempo? Sinceramente estou me sentindo como o cara do vídeo aí em baixo.

Help Desk


Independente da resposta às alternativas anteriores, aprendi que, mesmo longe do volante, devemos respeitar os limites do sono. Ou... Assumir o risco de fazer #$*&!@£ , ficar &*§'$@!# da vida e xingar o espelho de tudo quanto é &$*§%$#£("$#&§£% !!!

André Christ

sexta-feira, 27 de março de 2009

O pior e-mail da semana...

Essa semana - a última de março de 2009 - recebi um e-mail intitulado "O melhor e-mail da semana", contendo uma fábula ilustrativa e comentários de pessoas que o passaram adiante, a respeito da idéia principal.

Abaixo, segue o integral conteúdo deste e-mail e uma breve "crítica" pessoal às pessoas que repassam e-mails sem sequer refletir a respeito do que eles dizem.

O melhor e-mail da semana:
O COELHINHO, O URSO E O LEÃO
Um coelhinho felpudo estava fazendo suas necessidades matinais quando olha para o lado e vê um enorme urso fazendo o mesmo.
O urso se vira para ele e diz:
- Hei, coelhinho, você solta pêlos?
O coelhinho, vaidoso e indignado, respondeu:
- De jeito nenhum, venho de uma linhagem muito boa...
Então o urso pegou o coelhinho e limpou a bunda com ele.
MORAL DA HISTÓRIA: Cuidado com as respostas precipitadas. Pense bem nas possíveis consequências, antes de responder!
No dia seguinte, o leão, ao passar pelo urso diz:
- Aí, hein, seu urso! Com toda essa pinta de bravo, fortão, bombado...!
Te vi ontem, dando o rabo prum coelhinho felpudo.
Já contei pra todo mundo!!!
MORAL DA MORAL: Você pode até sacanear alguém, mas lembre-se que sempre existe alguém mais filho da puta que você!

'O problema do Brasil é que quem elege os governantes não é o pessoal que lê jornal, mas quem limpa a bunda com ele!'

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rsrsrsrsrs
Esse foi o melhor mesmo. Ainda estou rindo sozinho.
Um abraço do 'Sil'.
'Pessoas espertas podem se fazer de tolos, o contrário é muito mais difícil.' (Kurt Tucholsky)
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kkkkkkkkk
Realmente o melhor e-mail da semana, para nossa vergonha é claro, mas fazer o que se não rirmos das próprias burrices
Um ótimo dia ao meio de uma semana impar.
Abraço


Amigos
Respeito profundamente o inciso IV do Art.5o da Constituição da República Federativa do Brasil, onde reza que "é livre a
manifestação do pensamento (...)". Mas devo dizer ao querido amigo que me enviou este e-mail que não se trata do "melhor e-mail da semana" e sim do "mais imbecil que jamais recebi".
O Brasil, sem dúvida nenhuma tem muitos problemas. Administrativos, inclusive. Mas algumas pessoas esquecem que um Estado Democrático de Direito se faz atravéz do respeito a todos, sem distinção.
Não venham distorcer a inocente frase de Tucholsky, nem mesmo aproximá-la de uma frase tão ignorante e vazia quanto uma que diga que "O problema do Brasil é que quem elege os governantes não é o pessoal que lê jornal, mas quem limpa a bunda com ele!" Cujo autor, aliás, não é digno sequer de respeitar a segunda parte do inciso Constitucional já citado: "(...)sendo vedado o anonimato;"
Com todos os problemas, sejam eles de ordem política, econômica ou social, o Brasil se revela um País não muito diferente dos demais, pois todos têm problemas. Mesmo aqueles considerados de 'primeiro mundo'.
O Brasil tem desigualdade social sim. Tem pretos, brancos, amarelos, vermelhos, uma aquarela de raças. O Brasil tem ricos, pobres, milionários, miseráveis, uma pirâmide social com a base, proporcionalmente, maior que qualquer das pirâmides egípcias e mais "achatada" que qualquer das pirâmides Astecas. Mas, fundamentalmente, o Brasil tem o brasileiro.
O brasileiro, povo guerreiro "sul-afro-ameríndio" que foi para as ruas na década de 80 conquistar o direito ao voto. Conquistar a soberania popular que, segundo a Constituição 88, é "exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos (...)" (Art.14).
Não venha um imbe'Síl' qualquer me falar de "quem deveria ou não votar", que "quem lê jornal é melhor eleitor do que aquele que sequer sabe ler" ou que "o problema do Brasil é o povo brasileiro".
Na minha modesta opinião, embora o "peso" dos votos seja o mesmo para todos, o voto de "menor valor" é o desse tipo de eleitor. Alguém que não reconhece que toda e qualquer solução para o nosso Brasil passa, direta ou indiretamente, pelo suor do povo brasileiro.
A propósito, onde andavam estes imbecís, que só fazem reproduzir as notícias dos jornais e repassar e-mails que "sentam o pau" no Brasil e no povo brasileiro, em meados dos anos 80?
Abraços
AndréChr


Fotos: Sebastião Salgado

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ser lembrado...

Ser lembrado, seja pela posteridade ou pelo único desafeto, seja por alguém que a gente desconheça ou por aquele a quem tanto amamos, de uma forma ou de outra, com maior ou menor intensidade, mexe com a gente. Com o "ego", talvez (teorias Froydianas não são a minha especialidade).

A tecnologia, que nos possibilita cada vez mais contato com "Deus e o mundo", que nos coloca instantâneamente diante dos amigos e também dos inimigos, que por vezes nos expõe a ponto de sequestradores usarem informações publicadas na rede para preparar seus crimes, também tem seu encanto, seu romantismo, sua poesia.

Há bem pouco tempo (acreditem) as pessoas se utilizavam de cartas escritas a mão, enviadas pelos Correios, para se fazer lembrar ou demonstrar lebranças de alguém. Outras se utilizavam de modos mais simples e, na minha opinião, até mais carinhosos, como um recadinho sobre a mesa, um bilhete preso à geladeira ou um cartão debaixo do traveseiro (acompanhados de fotos então, poderiam levar às lágrimas). Só depois veio o "Post-it".

Para uma pessoa que mora sozinha ou alguém que vive na correria do cotidiano, por exemplo, que mantém (ou tenta manter) contato com determinadas gentes somente via internet, acessar o seu Blog ou o seu E-mail, fazer o "login" no Orkut ou no MSN, e receber uma simples mensagem... Faz, definitivamente, o dia valer à pena.

Imagine você chegando em casa, depois de mais um dia corrido e, como toda segunda-feira, cansativo, ligando o computador - e eu o faço quase antes de dar a última volta na chave pelo lado de dentro da porta -, enquanto o telefone toca. O "sistema operacional" ainda se inicia, quando você ouve uma voz de criança do outro lado, que diz: "Oi, titio. To com saudade! Eu amo tu, tá? Bjo."

E quando, finalmente, seu meio de comunicação preferido está pronto para ser usado... Abre-se uma janela, onde está escrito:

"Tens o dom de ver estradas
Onde eu vejo o fim
Me convences quando falas:
Não é bem assim!
Se me esqueço, me recordas
Se não sei, me ensinas.
E se perco a direção
Vens me encontrar!!!

Tens o dom de ouvir segredos
Mesmo se me calo
E se falo me escutas
Queres compreender
Se pela força da distância
Tu te ausentas
Pelo poder que há na saudade
Voltarás!!!!"

Por mais que o alvo destas palavras seja você, tenho certeza que você gostaria que essa sensação de ser lembrado, de ser amado, seja universal. Só quem é lembrado assim sabe o poder que essas manifestações de carinho têm, mas a sensação de lembrar de alguém também é maravilhosa.

Pratique isso! Escreva AGORA uma mensagem para a primeira pessoa que vier à cabeça.

André Christ